Frase sobre o Desperdicio de Agua





autor O mundo é grande
O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabeno breve espaço de beijar.

•ღ•‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗•ღ•

Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa,
se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Deus te mandou um presente divino - o amor. (...)" Leia completo aqui...

LEMBRETE
"Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida. "

•ღ•‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗•ღ•

AS SEM-RAZÕES DO AMOR

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

•ღ•‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗•ღ•


"Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida.
Amor começa tarde."

"Se eu gosto de poesia?
Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor.
Acho que a poesia está contida nisso tudo."


•ღ•‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗•ღ•

AMAR

Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?
Amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar?
Amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o cru, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta, distribuido pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

•ღ•‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗•ღ•

"Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade."

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."
(Carlos Drummond de Andrade)

Conceitos relacionados: o grande nesta mundo grande

' 0.0/5 (0 votos)
Por: admin
autor Nosso Tempo I Esse é tempo de partido, tempo de homens partidos. Em vão percorremos volumes, viajamos e nos colorimos. A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua. Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra. Visito os fatos, não te encontro. Onde te ocultas, precária síntese, penhor de meu sono, luz dormindo acesa na varanda? Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo sobe ao ombro para contar-me a cidade dos homens completos. Calo-me, espero, decifro. As coisas talvez melhorem. São tão fortes as coisas! Mas eu não sou as coisas e me revolto. Tenho palavras em mim buscando canal, são roucas e duras, irritadas, enérgicas, comprimidas há tanto tempo, perderam o sentido, apenas querem explodir. II Esse é tempo de divisas, tempo de gente cortada. De mãos viajando sem braços, obscenos gestos avulsos. Mudou-se a rua da infância. E o vestido vermelho vermelho cobre a nudez do amor, ao relento, no vale. Símbolos obscuros se multiplicam. Guerra, verdade, flores? Dos laboratórios platônicos mobilizados vem um sopro que cresta as faces e dissipa, na praia, as palavras. A escuridão estende-se mas não elimina o sucedâneo da estrela nas mãos. Certas partes de nós como brilham! São unhas, anéis, pérolas, cigarros, lanternas, são partes mais íntimas, e pulsação, o ofego, e o ar da noite é o estritamente necessário para continuar, e continuamos. III E continuamos. É tempo de muletas. Tempo de mortos faladores e velhas paralíticas, nostálgicas de bailado, mas ainda é tempo de viver e contar. Certas histórias não se perderam. Conheço bem esta casa, pela direita entra-se, pela esquerda sobe-se, a sala grande conduz a quartos terríveis, como o do enterro que não foi feito, do corpo esquecido na mesa, conduz à copa de frutas ácidas, ao claro jardim central, à água que goteja e segreda o incesto, a bênção, a partida, conduz às celas fechadas, que contêm: papéis? crimes? moedas? Ó conta, velha preta, ó jornalista, poeta, pequeno historiados urbano, ó surdo-mudo, depositário de meus desfalecimentos, abre-te e conta, moça presa na memória, velho aleijado, baratas dos arquivos, portas rangentes, solidão e asco, pessoas e coisas enigmáticas, contai; capa de poeira dos pianos desmantelados, contai; velhos selos do imperador, aparelhos de porcelana partidos, contai; ossos na rua, fragmentos de jornal, colchetes no chão da costureira, luto no braço, pombas, cães errantes, animais caçados, contai. Tudo tão difícil depois que vos calastes... E muitos de vós nunca se abriram. IV É tempo de meio silêncio, de boca gelada e murmúrio, palavra indireta, aviso na esquina. Tempo de cinco sentidos num só. O espião janta conosco. É tempo de cortinas pardas, de céu neutro, política na maçã, no santo, no gozo, amor e desamor, cólera branda, gim com água tônica, olhos pintados, dentes de vidro, grotesca língua torcida. A isso chamamos: balanço. No beco, apenas um muro, sobre ele a polícia. No céu da propaganda aves anunciam a glória. No quarto, irrisão e três colarinhos sujos. V Escuta a hora formidável do almoço na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se. As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas. Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos! Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa, olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso. Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo de comida, mais tarde será o de amor. Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma indecisa, evoluem. O esplêndido negócio insinua-se no tráfego. Multidões que o cruzam não vêem. É sem cor e sem cheiro. Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul, vem na areia, no telefone, na batalha de aviões, toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem. Escuta a hora espandongada da volta. Homem depois de homem, mulher, criança, homem, roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa, homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem, imaginam esperar qualquer coisa, e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-se, últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa, já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade, imaginam. Escuta a pequena hora noturna de compensação, leituras, apelo ao cassino, passeio na praia, o corpo ao lado do corpo, afinal distendido, com as calças despido o incômodo pensamento de escravo, escuta o corpo ranger, enlaçar, refluir, errar em objetos remotos e, sob eles soterrados sem dor, confiar-se ao que bem me importa do sono. Escuta o horrível emprego do dia em todos os países de fala humana, a falsificação das palavras pingando nos jornais, o mundo irreal dos cartórios onde a propriedade é um bolo com flores, os bancos triturando suavemente o pescoço do açúcar, a constelação das formigas e usurários, a má poesia, o mau romance, os frágeis que se entregam à proteção do basilisco, o homem feio, de mortal feiúra, passeando de bote num sinistro crepúsculo de sábado. VI Nos porões da família orquídeas e opções de compra e desquite. A gravidez elétrica já não traz delíquios. Crianças alérgicas trocam-se; reformam-se. Há uma implacável guerra às baratas. Contam-se histórias por correspondência. A mesa reúne um copo, uma faca, e a cama devora tua solidão. Salva-se a honra e a herança do gado. VII Ou não se salva, e é o mesmo. Há soluções, há bálsamos para cada hora e dor. Há fortes bálsamos, dores de classe, de sangrenta fúria e plácido rosto. E há mínimos bálsamos, recalcadas dores ignóbeis, lesões que nenhum governo autoriza, não obstante doem, melancolias insubornáveis, ira, reprovação, desgosto desse chapéu velho, da rua lodosa, do Estado. Há o pranto no teatro, no palco ? no público ? nas poltronas ? há sobretudo o pranto no teatro, já tarde, já confuso, ele embacia as luzes, se engolfa no linóleo, vai minar nos armazéns, nos becos coloniais onde passeiam ratos noturnos, vai molhar, na roça madura, o milho ondulante, e secar ao sol, em poça amarga. E dentro do pranto minha face trocista, meu olho que ri e despreza, minha repugnância total por vosso lirismo deteriorado, que polui a essência mesma dos diamantes. VIII O poeta declina de toda responsabilidade na marcha do mundo capitalista e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas prometa ajudar a destruí-lo como uma pedreira, uma floresta um verme. (Carlos Drummond de Andrade)

Conceitos relacionados: tempo i esse homens partidos em partido tempo tempo

' 0.0/5 (0 votos)
Por: admin
autor Um Poema Filmado Eu recomendei, cerca de um mês atrás, a trilha sonora de My Blueberry Nights, que é excelente. Agora vi o filme, que no Brasil ganhou o nome de Um beijo Roubado. É sobre o que, esse filme? Sobre absolutamente nada, a não ser a vida, essa que passa pela nossa janela sem roteiro, sem diálogos geniais, simplesmente a vida que nos convida: vai ou fica?Ela, a vida, essa que nos faz entrar em bares suspeitos, chorar de amor, espiar pelas frestas, pegar no sono em cima do balcão depois de beber demais. É noite escura e a gente sofre calado, deixa a conta pendurada, bebe de novo quando havia prometido parar, e morre - morre mesmo! - de ciúmes sem ter tido tempo de saber que éramos amados. A vida e nossos vícios, nossas perdas, nossos encontros: quanto mais nos relacionamos com os outros, mais conhecemos a nós mesmos, e é uma boa surpresa descobrir que, afinal, gostamos de quem a gente é, e quando isso acontece fica mais fácil voltar ao nosso local de origem, onde tudo começou. A vida e a espera por um telefonema, a vida e seus blefes, e nosso cansaço, e nossos sonhos, e a rotina e as trivialidades, e tudo aquilo que parecerá sem graça se ninguém colocar um pouco de poesia no olhar. A vida e suas pessoas belas, feias, fortes, fracas, normais. Todas atrás da chave: aquela que abrirá novas portas, velhas portas, a chave que nos fará ter o controle da situação - mas queremos mesmo ter o controle da situação? Não será responsabilidade demais? Deixar a chave nas mãos do destino é uma opção.Os sinais fecham, os sinais abrem. Você segue adiante, você freia. A gente atravessa a rua e vai parar em outro mundo, basta dar os primeiros passos. Viaja para esquecer, viaja para descobrir, e alguém fica parado no mesmo lugar, aguardando (quando pequeno, sua mãe o ensinou que, ao se perder na multidão, não é bom ficar ziguezagueando, melhor manter-se parado no mesmo lugar, aí fica mais fácil ser encontrado). Muitos estão parados no mesmo lugar, torcendo para serem descobertos.A vida como uma estrada sem rumo, a vida e seus sabores compartilhados, um beijo também é compartilhar um sabor. Afinal, vou ou não vou falar sobre o filme? Contei-o de cabo a rabo. Vá com poesia no olhar. (Martha Medeiros)

Conceitos relacionados: cerca poema atrás filmado eu trilha

' 0.0/5 (0 votos)
Por: admin
autor amei em cheio meio amei-o meio não amei-o ........................................... arte que te abriga arte que te habita arte que te falta arte que te imita arte que te modela arte que te medita arte que te mora arte que te mura arte que te todo arte que te parte arte que te torto ARTE QUE TE TURA ................................. A tese segunda Evapora em pergunta Que entrega é tão louca Que toda espera é pouca Qual dos cinco mil sentidos Está livre de mal-entendidos? ..................................... Atrasos do acaso Cuidados Que não quero mais O que era para vir Veio tarde E essa tarde não sabe Do que o acaso é capaz … ......................... Hoje à noite Lua alta Faltei E ninguém sentiu A minha falta DATILOGRAFANDO ESTE TEXTO ler se lê nos dedos não nos olhos que os olhos são mais dados a segredos ......................... O amor, esse sufoco, Agora há pouco era muito, Agora, apenas um sopro Ah, troço de louco, Corações trocando rosas, E socos. ............................. o mar o azul o sábado liguei pro céu mas dava sempre ocupado ................................ sorte no jogo azar no amor de que me serve sorte no amor se o amor é um jogo e o jogo não é o meu forte, meu amor? .......................... Tudo dito, Nada feito, Fito e deito .......................... Viver de noite me fez senhor do fogo. A vocês, eu deixo o sono. O sonho, não! Este eu mesmo carrego! ................... meio-dia três cores eu disse vento e caíram todas as flores ................................. entre a dívida externa e a dúvida interna meu coração comercial alterna ................... moinho de versos movido a vento em noites de boemia vai vir o dia quando tudo que eu diga seja poesia .................. noite sem sono o cachorro late um sonho sem dono ........................... furo a parede branca para que a lua entre e confira com a que, frouxa no meu sonho, é maior do que a noite ......................... primeiro frio do ano fui feliz se não me engano ........................... não fosse isso e era menos não fosse tanto e era quase ................. entre os garotos de bicicleta o primeiro vaga-lume de mil novecentos e oitenta e sete ...................... a noite me pinga uma estrela no olho e passa .................... na torre da igreja o passarinho pausa pousa assim feito pousasse o efeito na causa .................. um pouco de mão em todo poema que ensina quanto menor mais do tamanho da china ......................... entre a água e o chá desaba rocha o maracujá ............... duas folhas na sandália o outono também quer andar ...................... alvorada alvoroço troco minha alma por um almoço relógio parado o ouvido ouve o tic tac passado .................... cortinas de seda o vento entra sem pedir licença .......................... a estrela cadente me caiu ainda quente na palma da mão .................. lua à vista brilhavas assim sobre auschwitz? .................. lua de outono por ti quantos s sono ..................... hoje à noite lua alta faltei e ninguém sentiu minha falta ................ milagre de inverno agora é ouro a água das laranjas .............. coisas do vento a rede balança sem ninguém dentro .................. tarde de vento até as árvores querem vir para dentro ....................... morreu o periquito a gaiola vazia esconde um grito .................. tudo claro ainda não era o dia era apenas o raio .................... lua crescente o escuro cresce a estrela sente ...a poesia está dentro da vida, e não a vida dentro da poesia. (Paulo Leminski)

Conceitos relacionados: cheio meio habita arte amei-o meio abriga amei-o arte

' 0.0/5 (0 votos)
Por: admin
autor Posso acreditar em coisas verdadeiras e coisas não verdadeiras e posso acreditar em coisas em que ninguém sabe se são verdadeiras ou não. Posso acreditar em Papai Noel e no Coelhinho da Páscoa e em Marilyn Monroe e nos Beatles e no Elvis e em Mister Ed. Escute – eu acredito que pessoas são aperfeiçoáveis que o conhecimento é infinito, que o mundo é dirigido por cartéis bancários secretos e é visito por aliens periodicamente. Os bonzinhos que parecem lêmures enrugadinhos e os malvados que mutilam o gado e querem nossa água e nossas mulheres. Eu acredito que o futuro é um saco e acredito que o futuro é demais e acredito que um dia a Grande Mulher Búfalo vai voltar e chutar os traseiros de todo mundo. Eu acredito que todos os homens são só meninos crescidos com profundos problemas de comunicação e que o declínio do sexo bom coincide com o declínio dos cinemas drive-in de estado a estado. Eu acredito que todos os políticos são canalhas sem princípios e ainda acredito que são melhores que a alternativa. Eu acredito que a Califórnia vai afundar no mar quando vier a grande onda, enquanto a Flórida vai se dissolver em loucura e jacarés e lixo tóxico. Eu acredito que sabão anti-bactérias está destruindo nossa resistência à sujeira e a doenças de forma que um dia vamos todos ser arrasados pela gripe comum como os marcianos de Guerra dos Mundos. Eu acredito que os maiores poetas do último século foram Edith Sitwell e Don Marquis, que jade é esperma de dragão ressecado, e que milhares de anos atrás, em outra vida, eu era um xamã siberiano de um braço. Eu acredito que o destino da humanidade jaz nas estrelas. Eu acredito que o gosto do doce era de fato melhor quando eu era criança, e que é aerodinamicamente impossível para as abelhas voarem, que a luz é uma onda e uma partícula, e que há um gato em uma caixa em algum lugar que está vivo e morto ao mesmo tempo (embora se nunca abrirem a caixa pra alimentar o gato, eventualmente ele vai ser apenas diferentes definições de morto), e que há estrelas no universo bilhões de anos mais velhos que o próprio universo. Eu acredito em um Deus pessoal que se importa comigo e se preocupa e supervisiona tudo que faço. Eu acredito em um Deus impessoal que ligou o universo e saiu pra curtir com suas garotas e nem sequer sabe que estou vivo. Eu acredito em um universo vazio e sem deus, de caos causal, barulho de fundo, e pura e simples sorte. Eu acredito que qualquer um que diz que sexo é superestimado ainda não direito. Eu acredito que qualquer um que alegue saber o que está acontecendo também mente sobre as pequenas coisas. Eu acredito em honestidade absoluta e em mentiras sensíveis a outrem. Eu acredito no direito de escolha de uma mulher, no direito de viver de uma criança, e que enquanto toda vida humana é sagrada não há nada errado com a pena de morte se você puder confiar implicitamente no sistema legal, e que somente um imbecil confiaria no sistema legal. Eu acredito que a vida é um jogo, que a vida é uma piada cruel, que a vida é o que acontece quando você está vivo e que você pode simplesmente relaxar e aproveitar. (Neil Gaiman)

Conceitos relacionados: posso verdadeiras acreditar verdadeiras coisas

' 0.0/5 (0 votos)
Por: admin
autor Tem gente à beça no mundo. Dessas bilhões, somente centenas (quando tanto) chamam nossa atenção ao longo da vida. Gostamos de dezenas. Nos importamos verdadeiramente com, vamos ver, uma dúzia no máximo. Amamos muito poucas, quando amamos. A probabilidade de encontrar alguém que nos desperte esse sentimento é a mesma de encontrar o M&M vermelho em época de promoção: mínima, mas a esperança nos mantém abrindo pacotinhos. De vez em quando cansamos e nos conformamos com os azuis e os amarelos. Mas, no íntimo, pensamos em quão delicioso seria descobrir o vermelho. Em qual sensação provar o amor nos traria. Elucubramos, sonhamos acordados – mas a vida continua e não se pode viver de sonhos. Eventualmente esquecemos o bem-fadado vermelhinho e sacamos que a felicidade está em se entregar à cor que se tem ou não se entregar a cor nenhuma (viver sozinho, para alguns, é um alento. Pra mim, um tormento). Desencanamos desse papo de amor: uns por acharem que o encontraram – ou por terem-no encontrado de verdade -, outros por acharem que não existe. E tem os desesperados, compulsivos por abrir pacotinhos (o que é, diga-se, um ótimo meio de ficar infeliz). Enfim: nos acostumamos com o que criamos para nós, afinal cada um escolhe a história que quer viver. E se o enredo não for dos melhores, não adianta culpar os atores – quem escolheu o elenco foi você. Quem escreveu as falas ridículas também. Transferir responsabilidade é muito feio, já te disseram isso? Daí, no meio de uma atividade banal qualquer – andar pela calçada, passear com o cachorro, jantar fora – alguém nos oferece, despretensiosamente, um pacotinho de M&M. Aceitamos, qual o problema? Nessa altura já nem nos lembramos do papo, outrora tão presente, sobre o vermelho: o assunto morreu por falta de água. Rasgamos o pacotinho e… O que é isso?! É ele. Com sua cor vibrante, sua magia. Não, não era sonho: ele existe e está, nesse instante, em suas mãos. E a promoção está em vigor. Não é o máximo?! Então tudo o que desejamos pode se tornar realidade. A alegria de acordar com alguém e adorar observar seu rosto mesmo com marcas de travesseiro. A vontade de que o final de semana se anuncie logo e as horas juntos se multipliquem (sabe o sintoma mais evidente do fim de uma relação? Quando nos pegamos torcendo para a chegada da segunda-feira). A dor de estômago que se dá só de pensar em viver sem o sorriso acolhedor e as pequenas trapalhadas. Diante daquele vermelho, finalmente temos a certeza: tudo isso pode ser nosso. É impossível não ficar bobo-alegre. A vida que levamos até então pode ter sido boa, mas nada comparada à descoberta do amor que sempre acreditamos existir. Mesmo quando fingimos não acreditar. Ficamos inebriados, e nesse atordoamento, prestamos atenção demais em nossos delírios e cometemos um erro gigante: paramos de prestar atenção no M&M vermelho. Sem querer. É como bicho de estimação: enchemos de mimos e cuidados nas primeiras semanas, mas, com o tempo, ele faz tão parte de nossa vida que não nos damos mais conta de sua real importância e diminuímos, sem notar, a atenção e o carinho. Descuidamos. E é aí que acontece: M&M cai no bueiro. Ou outra pessoa passa por nós e, como se nada fosse, o tira de nossas mãos. Quando notamos, o perdemos. E como dói lembrarmos como era bom. Ou poderia ter sido. Ailin Aleixo (Martha Medeiros)

Conceitos relacionados: somente beça mundo gente dessas

' 0.0/5 (0 votos)
Por: admin

Foram encontrados 2641 resultados para esta busca