Palavras de Conforto para a Morte



autor EU APRENDI que a melhor sala de aula do mundo está aos pés de uma pessoa mais velha; EU APRENDI que ter uma criança adormecida nos braços é um dos momentos mais pacíficos do mundo; EU APRENDI que ser gentil é mais importante do que estar certo; EU APRENDI que nunca se deve negar um presente a uma criança; EU APRENDI que eu sempre posso fazer uma prece por alguém quando não tenho a força para ajuda-lo de alguma outra forma; EU APRENDI que não importa quanta seriedade a vida exija de você,cada um de nós precisa de um amigo brincalhão para se divertir junto; EU APRENDI que algumas vezes tudo o que precisamos é de uma mão para segurar e um coração para nos entender; EU APRENDI que os passeios simples com meu pai em volta do quarteirão nas noites de verão quando eu era criança fizeram maravilhas para mim quando me tornei adulto; EU APRENDI que deveríamos ser gratos a Deus por não nos dar tudo que lhe pedimos; EU APRENDI que dinheiro não compra classe; EU APRENDI que são os pequenos acontecimentos diários que tornam a vida espetacular; EU APRENDI que debaixo da casca grossa existe uma pessoa que deseja ser apreciada,compreendida e amada; EU APRENDI que Deus não fez tudo num só dia; O que me faz pensar que eu possa? EU APRENDI que ignorar os fatos não os altera; EU APRENDI que quando você planeja se nivelar com alguém, apenas esta permitindo que essa pessoa continue a magoar você; EU APRENDI que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas; EU APRENDI que a maneira mais facil para eu crescer como pessoa é me cercar de gente mais inteligente do que eu; EU APRENDI que cada pessoa que a gente conhece deve ser saudada com um sorriso; EU APRENDI que ninguem é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa; EU APRENDI que a vida é dura, mas eu sou mais ainda; EU APRENDI que as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu. EU APRENDI que quando o ancoradouro se torna amargo a felicidade vai aportar em outro lugar; EU APRENDI que devemos sempre ter palavras doces e gentis pois amanhã talvez tenhamos que engoli-las; EU APRENDI que um sorriso é a maneira mais barata de melhorar sua aparência; EU APRENDI que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito; EU APRENDI que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a; EU APRENDI que só se deve dar conselho em duas ocasiões: quando é pedido ou quando é caso de vida ou morte; EU APRENDI Que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer (Shakespeare)

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autor Amor – pois que é palavra essencial comece esta canção e toda a envolva. Amor guie o meu verso, e enquanto o guia, reúna alma e desejo, membro e vulva. Quem ousará dizer que ele é só alma? Quem não sente no corpo a alma expandir-se até desabrochar em puro grito de orgasmo, num instante de infinito? O corpo noutro corpo entrelaçado, fundido, dissolvido, volta à origem dos seres, que Platão viu completados: é um, perfeito em dois; são dois em um. Integração na cama ou já no cosmo? Onde termina o quarto e chega aos astros? Que força em nossos flancos nos transporta a essa extrema região, etérea, eterna? Ao delicioso toque do clitóris, já tudo se transforma, num relâmpago. Em pequenino ponto desse corpo, a fonte, o fogo, o mel se concentraram. Vai a penetração rompendo nuvens e devassando sóis tão fulgurantes que nunca a vista humana os suportara, mas, varado de luz, o coito segue. E prossegue e se espraia de tal sorte que, além de nós, além da prórpia vida, como ativa abstração que se faz carne, a idéia de gozar está gozando. E num sofrer de gozo entre palavras, menos que isto, sons, arquejos, ais, um só espasmo em nós atinge o climax: é quando o amor morre de amor, divino. Quantas vezes morremos um no outro, no úmido subterrâneo da vagina, nessa morte mais suave do que o sono: a pausa dos sentidos, satisfeita. Então a paz se instaura. A paz dos deuses, estendidos na cama, qual estátuas vestidas de suor, agradecendo o que a um deus acrescenta o amor terrestre. (Carlos Drummond de Andrade)

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autor Artigo de Luiz Fernando Veríssimo sobre o BBB* Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos heróis, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE. Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um zoológico humano divertido . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas. Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os animais do zoológico: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a não sou piranha mas não sou santa, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!). Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade. Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados. Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia. Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns). Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo. O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o escolhido receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a entender o comportamento humano. Ah, tenha dó!!! Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão. Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores ) Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade. (Luís Fernando Veríssimo)

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autor Capítulo VIII Razão contra Sandice JÁ O LEITOR compreendeu que era a razão que voltava à casa, e convidava a Sandice a sair, clamando, e com melhor jus, as palavras de Tartufo: La maison est à moi, c´est à vous d´en sortir. Mas é sestro antido da Sandice criar amor às casas alheias, de modo que, apenas senhora de uma, dificilmente lha farão despejar.É sestro; não se tira daí; há muito que lhe calejou a vergonha. Agora, se advertirmos no imenso número de casas que ocupa, umas de vez, outras durante as suas estações calmosas, concluiremos que esta amável peregrina é o terror dos proprietários. No nosso caso, houve quase um distúrbio à porta do meu cérebro, porque a aventícia não queria entregar a casa, e a dona não cedia da intenção de tomar o que era seu. Afinal, já a Sandice se contetava com um cantinho no sótão. _Não, senhora, replicou a Razão, estou cansada de lhe ceder sótãos, cansada e experimentada, o que você quer é passar mansamente do sotão à sala de jantar, daí à de visitas e o resto. _Está bem, deixe-me ficar algum tempo mais, estou na pista de um mistério... _Que mistério? _De dois, emendou a Sandice; o da vida e o da morte;peço-lhe, só uns dez minutos. A Razão pôs-se a rir. _Hás de ser sempre a mesma coisa ... sempre a mesma coisa ... sempre a mesma coisa ... E, dizendo isso, travou-lhe dos pulsos e arrastou-a para fora; depois entrou e fechou-se. A Sandice ainda gemeu algumas súplicas, grunhiu algumas zangas; mas dessenganou-se depressa, deitou língua de fora, em ar de surriada, e foi andando ... Memórias Póstumas de Brás Cubas. (Machado de Assis)

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autor - Sobre todos aqueles que ainda continuam tentando, Deus, derrama teu sol mais luminoso. - E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. - Sem rancor, sem saudade, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou. - (…) Escutei uma espécie de silêncio. Que talvez estivesse dentro de mim. - Continue andando. Enfrente seus problemas de cara. Reaja. Vai. Tá pensando que é só você que sofre? - Às vezes a gente vai-se fechando dentro da própria cabeça, e tudo começa a parecer muito mais difícil do que realmente é. - Preciso de um colo que ninguém dá. Mas tudo bem. - Eu queria que não fosse assim, que não tivesse sido assim. Mas não consegui evitar. - É dificil aprisionar os que têm asas. - E lembro tão bem que ainda que não tivesse sido ontem, continuaria sendo ontem na memória. - Rezo a Deus, pedindo não cargas mais leves, e sim ombros mais fortes. - É que sempre que penso em ser feliz, você me vem a cabeça. - Que o teu afeto me afetou é fato. - E se eu te olhar cem vezes, acredite, em cada uma delas estarei me apaixonando um pouco mais. - Não sei fazer jogo social. Até saberia, mas não me interessa, tenho preguiça. - Finalmente algo de bom no Youtube, VEJAM: migre.me/7Kd5O - Uma coisa que eu aprendi na vida: Deus não te tira as coisas, ele te livra delas. - Eu te amo virou uma frase tão romântica quanto me passa o açúcar. - Eu sinto ciúme quando alguém te abraça, porque por um segundo essa pessoa está segurando meu mundo inteiro. - Amanhã é outro dia, aprendi isso ontem. - Nunca, jamais diga o que sente. Por mais que te doa, por mais que te faça feliz. Quando sentir algo muito forte, peça um drink. - Eu vou deixar pra lá, fingir que esqueci, agir como se não importasse. O que é verdadeiro, volta e quem tem que ficar, fica. - E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. - Eu comecei minha faxina. Tudo o que não serve mais (sentimentos, momentos, pessoas) eu coloquei dentro de uma caixa. E joguei fora. - Uma coisa que eu aprendi na vida: Deus não te tira as coisas, Ele te livra delas. - Você é um(a) idiota. É um(a) babaca cretino(a) e sabe disso. Você frusta todas as expectativas que eu já tive em relação à alguém pra mim. - Se a vida é um circo, serei eu o palhaço? - Engole teu coração e se ama por dentro. - Uma dose de amnésia, e duas de desapego, por favor. - Sabe quando você lembra do sorriso dele, e involuntariamente você sorri também? Então.. - Foram tantas brincadeiras, tantas conversas, tantas risadas e olhe agora. Nem conversamos mais. - Não sinto raiva, não sinto nada. Sinto saudades, de vez em quando. Quando penso que poderia ter sido diferente. - Sabe o tal do amor-próprio? Então, tô ficando com ele e nossa relação anda ótima! - Sem rancor, sem saudade, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou. - Eu dizia que gostava de você, que sentia saudade de você, que eu precisava de você, que eu não conseguia viver sem você. Mas não era amor. - Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonhos demorados, quanto minhas insônias insuportáveis. - Meio sem esperança, as ilusões despedaçadas, o coração taquicárdico, língua seca, e continuando. Continuando. - O que é seu encontrará um caminho para chegar até você. - Eu queria que em um dia qualquer, você chegasse de fininho, me abraçasse apertado e dissesse: Senti sua falta. - Supere isso e, se não puder superar, supere o vício de falar a respeito. - Uma pessoa não precisa estar a vida inteira ao seu lado para se tornar única e inesquecível. - Nunca se esqueça: quando um capítulo termina, outro começa. - Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. - Hoje, quero passar dos limites da aparência e achar o que há de mais lindo no coração. - Bonito mesmo é essa coisa da vida: Um dia, quando menos se espera, a gente simplesmente supera. - E quem pode comigo, quando eu digo tudo que sinto? - Tem coisas que a gente vai deixando de ser e nem percebe. - Ô menina, veja bem… Ouça uma boa música, leia um bom livro e bola pra frente. Pode parecer clichê, mas funciona. Vá por mim. - Fé, cabeça erguida e esquece as maldades do mundo. - O tempo tem uma forma maravilhosa de nos mostrar o que realmente importa. - Choro sozinho no escuro, e você não enxuga as minhas lágrimas. - Não é fácil, muitas vezes eu me sinto sufocar de saudade, de vontade de estar perto. - Se não brilha mais, não insista. Lâmpada queimada não se arruma. Se troca por outra. - Pegue tudo a que você tem direito, e nós temos direito a absolutamente tudo de bom. - Eu ando fingindo muito. Finjo que não importo, finjo que não quero, finjo que não sinto, finjo que não vejo, finjo que esqueço. - Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. - Sempre chega um momento em que até o bom se torna insuportável. - Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. - Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda. - Vamos fazer assim: você não existe, que eu não te desejo. - Força e fé. Dai-me força, dai-me fé e dai-me luz. - Nada é eterno. O café esfria, o cigarro apaga, o tempo passa, as pessoas mudam… - O tempo corre e a gente vai descobrindo jeitos de se proteger. - Quero outra vez um quarto todo branco e um par de asas. Mesmo de papelão! - Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras – e por tudo isso, ando cada vez mais só. - E eu serei forte, mesmo se tudo der errado mais uma vez. - E se me perguntarem como estou, eis a resposta: Estou indo. Sem muita bagagem. Pesos desnecessários causam sempre dores desnecessárias. - Fiz fantasias. No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio. - Talvez, ele volte. Ou não. - Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. - Já chorei muito, já doeu muito esse coração… - Resolvi ser feliz porque é melhor para a saúde. - Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonhos demorados, quanto minhas insônias insuportáveis. - Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. - Sabe de uma coisa? Eu desisto das pessoas. - Existe sempre alguma coisa ausente. - É em você que eu penso, é de você que eu gosto, é pra você que eu volto… Sempre. - Eu não quero viver longe de você. Digo, viver sem falar contigo, sem saber como foi o seu dia, o que você fez, como esta se sentindo. - Meu medo não é te perder pra alguém melhor… É te perder pra alguém que não te ame tanto quanto eu. - E se me perguntarem como estou, eis a resposta: Estou indo. Sem muita bagagem. Pesos desnecessários causam sempre dores desnecessárias. - Não vou atrás de ninguém. Não mais. Eu não quero me apegar em ninguém, não quero precisar de ninguém. - Foram tantas brincadeiras, tantas conversas, tantas risadas e olhe agora. Nem conversamos mais. - Acalma esse coração, pequena, que desespero nunca resolveu problema. - Às vezes, sinto falta, às vezes, acho que é um alívio estar longe... - Daqui a 50 anos eu ainda vou saber seu nome e vou me lembrar de todas as vezes que você me fez sorrir. - Hoje eu só queria ouvir: eu te procurei pra saber se você está bem. - Não é fácil, muitas vezes eu me sinto sufocar de saudade, de vontade de estar perto. - Ultimamente não estou esperando coisas boas, e nem ruins, de nada e nem de ninguém. Por mim, tanto faz, cansei de criar falsas expectativas. - Sabe o tal do amor-próprio? Então, tô ficando com ele e nossa relação anda ótima! - Se não fosse amor, não haveria planos, nem vontades, nem ciúmes, nem coração magoado. - Se não brilha mais, não insista. Lâmpada queimada não se arruma. Se troca por outra. - Parei de trabalhar. Parei de ser e de fazer qualquer outra coisa além de esperar que ele voltasse. - E Deus continua sussurrando: Não desista, o MELHOR ainda está por vir. - Eu queria que em um dia qualquer, você chegasse de fininho, me abraçasse apertado e dissesse: Senti sua falta… - Eu te amo. Mesmo negando. Mesmo deixando você ir. Mesmo não te pedindo pra ficar. Mesmo estando longe, eu te amo. E amo mesmo. - Eita, que menina doida! Fala sozinha e ama também. - Todo mundo tá comentando: migre.me/7HhW3 =o - Para provar novos chás, é preciso esvaziar a xícara. - Aquilo que não te acrescenta, em nada te fará falta. - Fiz fantasias. No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio. - Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras - e por tudo isso, ando cada vez mais só. - Sempre acabava gostando das malditas pessoas e todas as suas loucuras. - Eu ando tomando o rumo certo agora, me deseje sorte. - Não foi nada. Deu saudade, só isso. De repente, me deu tanta saudade. - Talvez o mal é que a gente pede amor o tempo todo. - Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém. - Não choro minhas perdas, nem temo a inveja e o olho gordo que me rodeiam. Sou de deus, quem não é que se cuide. - Nada é eterno. O café esfria, o cigarro apaga, o tempo passa, as pessoas mudam… - Seus olhos eram de desilusão, de cansaço. Cansada de construir sonhos, planos, fantasias. E depois da desilusão ter de destruir uma a uma. - Tenho repetido que, no que depender de mim, me recuso a ser infeliz. - Você se foi e eu afundei numa melancolia de dar gosto. - Que comece agora e que seja permanente essa vontade de ir além daquilo que me espera. - Foi por não ser vela que o vento não apagou. Era vagalume, tinha uma vida inteira pra brilhar! - E te cuida, por favor, te cuida bem. Não é porque estás longe que não te quero bem. - E se me perguntarem como estou, eis a resposta: Estou indo. Sem muita bagagem. Pesos desnecessários causam dores desnecessárias. - Talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor. - E apesar do meu medo há em mim uma paz enorme que eu chamo de felicidade. - Porque aprendi, que a vida, apesar de bruta, é meio mágica. Dá sempre pra tirar um coelho da cartola. - Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria. - Então me sinto protagonista de um filme chamado: Criaturas que o mundo esqueceu. - Sobre todos aqueles que ainda continuam tentando, Deus, derrama teu sol mais luminoso. - Não consigo mais aceitar relações pela metade. Em outras palavras, raspas e restos não me interessam. - Força e fé, repete comigo: dai-me força e dai-me fé, dai-me luz. - Tenho repetido que, no que depender de mim, me recuso a ser infeliz. - Pode parecer meio ambicioso, mas gostaria de ajudar a transformar este mundo numa coisa melhor. - PRA QUEM TEM AENTRE 13 À 25 ANOS: migre.me/7Gq7T - Desnecessário é sofrer por alguém que você sabia que nunca iria dar certo. - Não sinto raiva, não sinto nada. Sinto saudade, de vez em quando. Quando penso que poderia ter sido diferente. - E eu serei forte, mesmo se tudo der errado mais uma vez. - Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras; e por tudo isso, ando cada vez mais só. - Então me sinto protagonista de um filme chamado: Criaturas que o mundo esqueceu. - Aprendi a gostar de viver e ser feliz. - Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. - Essa morte constante das coisas é o que mais dói. - Não se permita entristecer por nada, nem por ninguém. - O futuro é um abismo escuro, mas pouco importa onde terminará a minha queda. - Sonhei que você sonhava comigo. Ou foi o contrário? Seja como for, pouco importa: não me desperte, por favor, não te desperto. - Aquilo que não te acrescenta, em nada te fará falta. - Não sei fazer jogo social . Até saberia ,mas não me interessa , tenho preguiça. - Fiz fantasias. No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio. - Amor não resiste a tudo, não. Amor é jardim. Amor enche de erva daninha. Amizade também, todas as formas de amor. - aço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber. - Eu ando tomando o rumo certo agora, me deseje sorte. - Sinto uma falta absurda de você. Ficou um vazio que ninguém pre(enche). E penso e repenso e trepenso em você. - Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa. (caio fernando de abreu)

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autor De vez em quando o diabo me aparece e temos longas conversas. Em nada se parece com o que dizem dele: rabo, chifres, patas de bode e cheiro de enxofre. Cavalheiro de voz mansa e racional, bem vestido, apreciador de desodorantes finos, me surpreende sempre pela lógica dos seus argumentos. Nada de futilidades. Só fala sobre o essencial, estilo que aprendeu com Deus, nos anos em que foi seu discípulo. Percebi que era ele quando notei que trazia na sua mão direita o martelo e, na esquerda, a bigorna. Pois esta é a sua missão: martelar as certezas, ferro contra ferro, para ver se sobrevivem ao teste. Já se preparava para dar a primeira martelada quando o interrompi: - Que é isto que você vai bater? Acho que vai se partir em mil pedaços… A coisa que estava sobre a bigorna me parecia feita de louça, um bibelô delicado e frágil, e lamentei que o diabo fosse esmigalhá-la. - Não tenho outra alternativa – ele me respondeu. – É parte de uma aposta que fiz com Deus. Este bibelô delicado é o casamento. E você pode estar certo: não resistirá ao ferro do meu martelo! Fiquei indignado que ele estivesse maquinando coisa tão perversa e passei ao ataque. - Não é à toa que os religiosos dizem que você é o anti-Deus. Deus junta. Você separa! A sua bigorna já destruiu muitos lares! Ele não tinha pressa. Descansou o seu martelo e me falou com voz imperturbada: - Já estou acostumado às calúnias. Mas não existe coisa alguma mais distante da verdade. Se há uma coisa que eu desejo é um casamento duradouro, até que a morte os separe. Se ponho o casamento na bigorna é justamente para provar que a receita do Criador não funciona. A minha é muito mais eficaz. Como o meu silêncio indicasse minha disposição em ouvi-lo, ele continuou a falar: - Todo mundo sabe que, no início, eu era a mão direita de Deus. Estávamos de acordo em tudo. Ele mandava, eu fazia. Foi por causa do casamento que nos separamos. Até então trabalhávamos juntos. Quando Deus disse que não era bom que o homem estivesse só, e melhor seria que ele tivesse uma mulher, eu concordei. Quando Deus disse que esta união teria de ser sem fim, até a morte, eu aplaudi. Mas aí apareceu o pomo da discórdia. Para colar o homem na mulher, Deus foi buscar uma bisnaguinha de amor. Protestei. Argumentei: - Senhor! Amor é coisa muito fraca, de duração efêmera! Quem é colado com o amor logo se separa! Citei o poeta: Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure! Amor é chama tênue, fogo de palha. Não pode ser imortal. No começo, aquele entusiasmo. Mas logo se apaga. Chama de vela, fraquinha, que se vai com qualquer ventinho… Amor é bibelô de louça. Todos os amantes sabem disso, mesmo os mais apaixonados. E não é por isso que sentem ciúmes? Ciúme é a consciência dolorosa de que o objeto amado não é posse: ele pode voar a qualquer momento. Por isto o amor é doloroso, está cheio de incertezas. Discreto tocar de dedos, suave encontro de olhares: coisa deliciosa, sem dúvida. E é por isso mesmo, por ser tão discreto, por ser tão suave, que o amor se recusa a segurar. Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar. Como construir uma relação duradoura com cola tão fraquinha? Por isto os casais se separam, por causa do amor, pela ilusão de um outro amor. Qualquer tolo sabe que o pássaro só fica se estiver na gaiola. O amor é cola fraca para produzir um casamento duradouro porque no amor vive o maior inimigo da estabilidade: a liberdade. É preciso que o pássaro aprenda que é inútil bater asas. Um casamento duradouro é aquele em que o homem e a mulher perderam as ilusões do amor. - Foi aí que nos separamos – ele continuou. - Não porque discordássemos que casamento deveria ser eterno. É isto que eu quero. Nos separamos porque não estávamos de acordo sobre o que é que junta um homem e uma mulher, eternamente. Deus é um romântico. Eu sou um realista. - Qual foi então a sua proposta? Que cola deveria ser usada?- perguntei, perplexo. - O ódio. – respondeu ele. – Enganam-se aqueles que dizem que o ódio separa. A verdade é que o ódio junta as pessoas. Como disse um jagunço do Guimarães Rosa, quem odeia o outro, leva o outro para a cama. Diferente do fogo da vela, o fogo do ódio é como um vulcão. Não se apaga nunca. Por fora pode parecer adormecido. No fundo, as chamas crepitam. A diferença entre os dois? O amor, por causa da liberdade, abre a mão e deixa o outro ir. No amor existe a permanente possibilidade de separação. Mas o ódio segura. Não tenha dúvidas. Os casamentos mais sólidos são baseados no ódio. E sabe por que o ódio não deixa ir? Porque ele não suporta a fantasia do outro, voando livre, feliz. O ódio constrói gaiolas, e ali dentro ficam os dois, moendo-se mutuamente numa máquina de moer carne que gira sem parar, cada um se nutrindo da infelicidade que pode causar no outro. As pessoas ficam juntas para se torturarem. Não menospreze o poder do sadismo. Ah! A suprema felicidade de fazer o outro infeliz! Com estas palavras ele tomou do seu martelo e voltou ao seu trabalho: - Tenho de provar que eu, e não Deus, sou quem sabe a receita do casamento que só a morte pode separar. Eu me persignei três vezes e compreendi que o inferno está mais perto do que eu pensava. (Rubem Alves)

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autor Eu sempre acho que às vezes na vida, a gente vive tão mal, às vezes a gente precisa perder as pessoas pra descobrir o valor que elas têm. Às vezes as pessoas precisam morrer pra gente saber a importância que elas tinham, e isso uma vez na minha vida isso aconteceu. Estava eu na minha casa de manhã, quando recebi um telefonema que minha irmã estava morta, minha irmã mais nova, cheia de vida de repente não existe mais. Fico pensando assim, que às vezes na vida o ensinamento mais doído seja esse, quando na vida nos já não temos mais a oportunidade de fazer alguma coisa, e o inferno talvez seja isso, a impossibilidade de mudar alguma situação. E quando as pessoas morrem já não á mais o que dizer, porque mortos não podem perdoar, mortos não podem sorrir, mortos não podem amar, nem tão pouco ouvir de nos que nos os amamos. Eu me lembro que uma semana antes de minha irmã morrer, ela havia me ligado, foi à última vez que eu falei com ela e eu me recordo que naquele dia, eu estava apressado muita coisa pra fazer, e fiz questão de desligar o telefone rápido, sabe quando você fala, mas fala na correria porque você tem muita coisa pra fazer? E foi assim, se eu soubesse que aquela era a última oportunidade de ver minha irmã, de olhar nos olhos dela, de falar com ela, eu certamente teria esquecido toda a pressa, porque quando a vida é assim, e você sabe que é a ultima oportunidade, você não tem pressa pra mais nada, já não há mais o que eu fazer, e essa é a beleza da última ceia de Jesus. Não há pressa, o momento é feito para celebrar, a mística da última ceia está ali, Jesus reúne aqueles que pra ele tinha um valor especial, inclusive o traidor estava lá. E eu descobrir com isso, com a morte da minha irmã, q eu não tenho o direito de esperar amanhã pra dizer que amo, pra perdoar, para abraçar, dizer que é importante que é especial. Não! O amanhã eu não sei se existe, mas o agora eu sei que existe, e às vezes na vida nos perdemos... Eu me lembro quantas vezes na minha vida de irmão com ela, nos passávamos uma semana sem nos falarmos, por que ouve uma briga uma confusão, a gente se dava o luxo de passar uma semana sem se falar, e hoje eu ano tenho mais nem 5 minutos pra conversar com alguém que foi importante, que foi parte de mim. Não espere as pessoas morrerem, irem embora, não espere o definitivo bater na sua porta, nos não conhecemos a vida e não sabemos o que virá amanhã, viva como se fosse o último dia da sua história, se hoje você tivesse que realizar a sua última ceia, porque é conhecedor que hoje é o último de sua vida, certamente você não teria tempo pra pressa. Você celebraria até o fim e gostaria de ficar no lado de quem você ama. Viver o cristianismo, é fazer a dinâmica da última ceia todos os dias, viva como se fosse o ultimo dia da sua vida, viva como se fosse a ultima oportunidade de amar quem você ama, de olhar nos olhos de quem pra você é especial. E depois que minha irmã morreu um tempo bem passado, eu descobrir porque eu gostava tanto dessa musica que vou cantar agora, ela não fala de um amor que foi embora, o compositor fez para a filha que morreu em um acidente, então, fica muito mais especial cantá-la e descobrir o cristianismo que está no meio das palavras, por que é assim, quando o outro vai embora é que a gente descobre o tamanho do espaço que ele ocupava. Não sei por que você se foi Quantas saudades eu senti E de tristezas vou viver E aquele adeus não pude dar... Você marcou na minha vida Viveu, morreu Na minha história Chego a ter medo do futuro E da solidão Que em minha porta bate... E eu! Gostava tanto de você Gostava tanto de você... Eu corro, fujo desta sombra Em sonho vejo este passado E na parede do meu quarto Ainda está o seu retrato Não quero ver prá não lembrar Pensei até em me mudar Lugar qualquer que não exista O pensamento em você... E eu! Gostava tanto de você Gostava tanto de você... Não sei por que você se foi Quantas saudades eu senti E de tristezas vou viver E aquele adeus não pude dar... Você marcou em minha vida Viveu, morreu Na minha história Chego a ter medo do futuro E da solidão Que em minha porta bate... E eu! Gostava tanto de você Gostava tanto de você... Eu corro, fujo desta sombra Em sonho vejo este passado E na parede do meu quarto Ainda está o seu retrato Não quero ver prá não lembrar Pensei até em me mudar Lugar qualquer que não exista O pensamento em você... E eu! Gostava tanto de você Gostava tanto de você... Eu gostava tanto de você! Eu gostava tanto de você! Eu gostava tanto de você! Eu gostava tanto de você! Agora o triste da música é que a gente precisa conjugar o verbo no passado, a pessoa já morreu, já não a mais o que fazer, mas não tem nenhum sofrimento nessa vida que passe por nos sem deixar nenhum ensinamento,...tem que nos ensinar, não dá pra sofrer em vão, alguma coisa a gente tem que extrair...extraia o sofrimento e descubra o ensinamento. Se ele algum dia me tocou e me deixou algum ensinamento eu faço questão de partilhá-lo com você agora. Depois da morte da minha irmã eu faço questão de viver a vida como se fosse o ultimo dia. Já que o passado é coisa do inferno e a gente não ta no passado, muito menos no inferno...resta a possibilidade de mudar o verbo de trazê-lo para o presente e de cantá-lo olhando para as pessoas que são especiais, quem sabe cantando pra ela nesse momento...se ela ta do seu lado, se você tem algum amigo que mereça ouvir isso de você, alguém que faz diferença na sua história...ao invés de você dizer que gostava, você diz que gosta! Vamos mudar o verbo! Vamos amar a vida! Vamos amar as pessoas antes que elas vão embora! E eu...EU GOSTO TANTO DE VOCÊ! EU GOSTO TANTO DE VOCÊ! (Padre Fábio de Melo)

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Por: admin
autor A PROCURA DA POESIA Não faças versos sobre acontecimentos. Não há criação nem morte perante a poesia. Diante dela, a vida é um sol estático, não aquece nem ilumina. As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam. Não faças poesia com o corpo, esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica. Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro são indiferentes. Nem me reveles teus sentimentos, que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem. O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia. Não cantes tua cidade, deixa-a em paz. O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas. Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma. O canto não é a natureza nem os homens em sociedade. Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam. A poesia (não tires poesia das coisas) elide sujeito e objeto. Não dramatizes, não invoques, não indagues. Não percas tempo em mentir. Não te aborreças. Teu iate de marfim, teu sapato de diamante, vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável. Não recomponhas tua sepultada e merencória infância. Não osciles entre o espelho e a memória em dissipação. Que se dissipou, não era poesia. Que se partiu, cristal não era. Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. Estão paralisados, mas não há desespero, há calma e frescura na superfície intata. Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário. Convive com teus poemas, antes de escrevê-los. Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam. Espera que cada um se realize e consume com seu poder de palavra e seu poder de silêncio. Não forces o poema a desprender-se do limbo. Não colhas no chão o poema que se perdeu. Não adules o poema. Aceita-o como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada no espaço. Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave? Repara: ermas de melodia e conceito elas se refugiaram na noite, as palavras. Ainda úmidas e impregnadas de sono, rolam num rio difícil e se transformam em desprezo. (Carlos Drummond de Andrade)

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Por: admin
autor Não pode tocar Entro num museu, paro em frente a um quadro, a uma escultura, a uma cerâmica, e enxergo o aviso: não pode tocar. Não posso, então não toco, tudo bem. Não tocarei pra não estragar, pra não quebrar, pra durar por muitos séculos. Nada de sentir a textura do material, nada de deixar minhas digitais impressas, nada de arranhar a tela com minhas unhas mal lixadas, de desgastar as cores com meus dedos imundos. Então a gente respeita, não chega muito perto, não atravessa a linha amarela, nada de macular a obra com nosso hálito quente e nosso olhar aproximado demais. Assim é também entre homens e mulheres, entre pais e filhos, entre amigos que procuram se proteger: não se pode tocar em determinados assuntos. Há questões que arriscam ser maculadas com palavras, que um olhar aproximado demais poderia danificar. Instaura-se sempre um silêncio de museu ao nos aproximarmos de temas perigosos. Tolera-se apenas o som da tevê, de um teclado de computador, de alguém falando ao telefone, ruídos parecidos com silêncio, já que não fazem barulho excessivo, não incomodam o suficiente. Palavras incomodam o suficiente. Vamos falar sobre o que nos aconteceu dez anos atrás. Vamos conversar sobre a morte do seu pai. Vamos tentar entender juntos a razão de você estar bebendo desse jeito. Me diz o que te perturbou na infância. Não, não quero tocar neste assunto. Mantenha-se atrás da faixa amarela, não chegue muito perto, não acerque-se de meus traumas, não invada meus mistérios, não atrite-se com o meu passado, não tente entender nada: é proibido tocar no sagrado de cada um. Todas as relações do mundo possuem sua prateleira de cristais. Há sempre um suspense, uma delicadeza ao transitar pela fragilidade do outro. Melhor não falar muito alto, é mais prudente ir devagar e com cuidado. Para não estragar, pra não quebrar, pra durar por muitos séculos. (Martha Medeiros)

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